estand.arte

o artista brasileiro Neles Azevedo esculpiu 5000 peças em gelo para lembrar os civis mortos durante a Primeira Guerra Mundial. as pequenas esculturas foram expostas em Chamberlain Square, Birmingham - Reino Unido.

A vida bate

"Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida!

O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista
de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
carnadura de pânico: as
pessoas que vão e vêm
que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.

Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.”


Ferreira Gullar

"Dance of Despair and Disillusionment", scene of "Being John Malkovich".
i felt in love with the puppet acts displayed in this movie.

É preciso duas pessoas para fazer alguém, e uma para morrer. É assim que o mundo vai acabar.
William Faulkner em “Enquanto Agonizo”
O colapso nervoso

"Há dez anos a vida era, sobretudo, uma questão pessoal. Eu precisava equilibrar o senso da inutilidade do esforço e o senso da necessidade de lutar; a convicção da inevitabilidade do fracasso e, ainda assim, a determinação de ‘vencer’ - e, mais do que isso, a contradição entre a mão morta do passado e as admiráveis intenções para o futuro. Se eu conseguisse fazer isso apesar dos males comuns da vida - domésticos, profissionais e pessoais -, o ego seguiria como uma flecha atirada do nada para o nada e com tal força que só a gravidade a traria por fim de volta à terra".


F. Scott Fitzgerald

Apresentação

"Diante destes desenhos de Ziraldo, não consigo calar uma coisa que costumo dizer, ou seja, que a pessoa nasce desenhista ou nasce jogador de futebol ou nasce, por exemplo, cozinheiro, já que - como disse Noel - samba não se aprende no colégio. Claro que você terá que aprender a usar seu talento, dominar os recursos que o desenho ou a música ou a poesia oferecem e que possibilitam a criação artística. Porém, se o cara não nasceu para aquilo, longe não vai chegar. É o contrário de Ziraldo, que, nascido em Caratinga, interior de Minas, ganhou o mundo, tem sua arte reconhecida nacional e internacionalmente.
Mas, como disse, não basta nascer com talento, porque arte é, sobretudo, um fazer, um saber fazer que é diferente de outros saberes, pelo fato de que, na arte, o não saber também desempenha um papel fundamental: é que o artista necessita da descoberta, repele a fórmula, que é o contrário da criatividade. Ziraldo é o exemplo disso, já que, ao longo de sua vida, esteve sempre inventando e reinventando. E foi assim que criou alguns dos personagens que, feitos de traços e papel, convivem conosco, fazem parte da nossa vida, como os amigos e a família.
Outra reflexão a que me levam os desenhos de Ziraldo é a que diz respeito à chamada arte contemporânea, que, a meu ver, se situa no polo oposto do que entendo por arte, já que dispensa o fazer, o saber fazer. E cito sempre o exemplo de um seixo rolado que tenho em cima de minha estante e que trouxe de uma praia de Lima, no Peru. É uma pedra de cor cinza, que lembra um ovo. É linda, mas não é arte, pois ninguém a fez. E o que dizer de coisas que não nasceram do fazer e nem belas são?
Esse tipo de manifestação se caracteriza por não possuir uma linguagem e, consequentemente, por não ser produto do trabalho, da elaboração de significados nela implícitos. O chamado artista conceitual não necessita fazer nada: inventa expor casais nus num museu e pronto, lá estão os casais, que não são produto de seu trabalho. Trata-se apenas de ter uma ideia, ou seja, “uma boa ideia” - a caninha 51.
E por aí vai: um expõe urubus numa gaiola, outro prende um cachorro numa galeria de arte e o deixa morrer de sede e fome. O curioso nesse tipo de manifestação é que, se não estiver num museu ou numa galeria de arte, não é arte. Claro, casais nus numa alcova não é arte, mas, no museu, passa a ser. Então, o que torna aquilo obra de arte é a instituição? Mas não é da natureza da arte e particularmente da arte de vanguarda ser anti-institucional? No entanto, no caso da arte conceitual dá-se o contrário, sem a instituição ela não existe. Rebeldia que necessita, para se afirmar, da instituição não é rebeldia, é oportunismo. 
A propósito disso, lembro que a célebre Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, foi certa vez roubada do Museu do Louvre, em Paris, e ficou dois anos desaparecida. Encontraram-na num hotel, em Florença, dentro de uma maleta cheia de roupas sujas. O quadro continuava sendo a obra de arte que sempre foi, independentemente do lugar em que estava. É que a Mona Lisa não precisa do Louvre para ser obra de arte, mas o Louvre, sim, depende dela para ser museu. 
Claro, nem todo artista é Leonardo da Vinci, mas toda obra de arte é produto do fazer, da criatividade e do domínio técnico de uma linguagem, seja gráfica, seja musical, poética ou dramatúrgica. É nessas linguagens que estão potencialmente as significações constitutivas da obra de arte. E essa relação entre linguagem artística e a obra propriamente dita é tão essencial que o que o desenho diz a música não diz, o que a primeira diz a poesia não diz, já que os significados estão nas linguagens e, sem elas, não existem. Logo é necessário ter o domínio da linguagem da arte para criar arte, é preciso, portanto, saber fazer, para fazer. 
A verdade, porém, é que, na arte, como já disse, saber é inventar, e nisso Ziraldo é mestre. Não foi por outra razão que seus companheiros de trabalho decidiram reunir, neste livro, desenhos dele que nasceram do simples prazer de desenhar por desenhar, o prazer de reinventar a vida. E, se servem para nos mostrar como surgiram seus personagens, que hoje são parte de nosso mundo, revelam-nos também o mistério da criação no nascedouro”.


texto de Ferreira Gullar para o livro “Os homens tristes e outros desenhos sem destino”, uma coletânea de rascunhos do cartunista Ziraldo

Haru (primavera)

(…) “Se santos são aqueles que mantêm comunicação privilegiada com alguma transcendência, Deus ou deuses, com a morte destes, não há mais santos. Só que tem um problema. É que santos. E sempre haverá. Santos artistas, santos poetas, santos atletas, santos marxistas, inclusive. 
Que outro adjetivo calharia, por exemplo, para os bolcheviques de Outubro, esses Lênin, Trótski, Stálin, Kamenev, Zinóviev, Bukhárin, Rádek, Dzerjhinski, santos da Revolução, ratos de esgoto durante tantos anos, diante da polícia czarista, carregando acesa a chama de uma ideia, evangelhos, frases, diretrizes, coerências, frasespalavras-chave?
Humanamente, só nos santos dá para ver os deuses: só nos radicais, dá pra ver a Ideia.
Deus, chamo aqui, é tudo aquilo (ou aquilo tudo) que faz a gente viver, com plenitude mental e espiritual, vida boa de ser vivida: chama-se Ra, Amon, Aton, Zeus, Iavé, Jesus, Xangô, Buda ou revolução. O sentido: a interpretação final do gesto de existir. O para quê. E o porquê.
Parece consistir a santidade em certa entrega a um princípio. O santo, uma das possibilidades humanas: o herói do espírito, da Ideia, do signo. Um exagero, portanto.” (…)


Paulo Leminski, em “Bashô”, no livro “Vida”

[peço que tirem suas próprias conclusões a respeito desse trecho…]

ufukorada:

shadow art; amazing …

achei o máximo!

ufukorada:

shadow art; amazing …

achei o máximo!

devo estar na vibe das fotos eróticas…essa imagem lindíssima da década de 1970, feita por fotógrafo(a) que desconheço (quem souber, favor informar!), mostra os então amantes Serge Gainsbourg, popular cantor francês, e a atriz e cantora britânica Jane Birkin.

devo estar na vibe das fotos eróticas…
essa imagem lindíssima da década de 1970, feita por fotógrafo(a) que desconheço (quem souber, favor informar!), mostra os então amantes Serge Gainsbourg, popular cantor francês, e a atriz e cantora britânica Jane Birkin.

La complicidad

"Soy el verbo que da acción
a una buena conversación
y cuando tu me nombras siente ganas
Soy la nueva alternativa contra contaminación
y tu eres la energía que me carga
Soy una arboleda que da sombra a tu casa
Un viento suave que te soba la cara
De todos tus sueños, negra, soy la manifestación
Tu eres esa libertad soñada

Soy la serenidad que lleva a la meditación
y tu eres ese tan sagrado mantra
Soy ese juguito de parcha que te baja la presión
y siempre que te sube tu me llamas ‘Ya’
Tira la sábana, sal de la cama
Vamos a conquistar toda la casa
De todo lo que tu acostumbras soy contradicción
Creo que eso es lo que a ti te llama

La complicidad es tanta
que nuestras vibraciones se complementan
Lo que tienes me hace falta
y lo que tengo te hace ser más completa
La afinidad es tanta
miro a tus ojos y ya se lo que piensas
Te quiero porque eres tantas
cositas bellas que me hacen creer que soy

La levadura que te hace crecer el corazón
y tu la vitamina que hace me falta
Soy ese rocío que se posa en tu vegetación
y tu esa tierra fértil que esta escasa
Soy la blanca arena que alfombra tu playa
Todo el follaje que da vida a tu mapa
De toda idea creativa soy la gestación
tu eres la utopía liberada

La complicidad es tanta
que nuestras vibraciones se complementan
Lo que tienes me hace falta
y lo que tengo te hace ser más completa
La afinidad es tanta
miro a tus ojos y ya se lo que piensas
Te quiero porque eres tantas
cositas bellas que me hacen sentir muy bien”


Perotá Chingó